PRESENÇA CATÓLICA EM SÃO FRANCISCO DO GLÓRIA
Heloísa Azevedo Costa
Padre Joaquim Cardoso
Chefe político por excelência
A rua vai e volta , pois , durante muitos anos , acabava na propriedade da família de Geraldo Gomes. E pouca gente se refere à ela pelo seu devido nome : rua Padre Joaquim Cardoso. Quem é essa figura que virou nome de rua ?
O livro “A Masorca”, de Rodrigo Baptista Martins, que relata o domínio da oligarquia cafeeira na região de Carangola no final do século XIX, ao fazer referência às eleições municipais do ano de 1897 nas quais os situacionistas , como era o caso do coronel Novaes , ligados ao governo estadual, foram derrotados, traz a seguinte nota de pé de página :
“(3) Um artigo assinado por Álvaro Moreira Barros Oliveira Lima , publicado no jornal O Paiz, de 11 de setembro de 1897, depois de anunciar os nomes dos candidatos vitoriosos na chapa da oposição nas eleições municipais de 1° de setembro de 1897, ..., informa: ‘E releva notar que de todos os recursos lançaram mão os adeptos do governo municipal para nos amendrontar, constituindo exceção única o prestigiosíssimo e honrado chefe da freguesia de S.Francisco do Glória , vigário Joaquim Rodrigues Cardoso, que , sem uma só ameaça , nem um só capanga , nos derrotou por muito grande maioria ’ (...) ‘É que chefes da estatura moral do referido sacerdote cativam os próprios adversários , os quais , em vez de se sentirem amesquinhados diante da clava de seu poder , curvam-se, genuflexos e reverentes, ante a sua enorme força , conquistada a custa de ininterruptos serviços à causa dopovo , que também constitue a nossa exclusiva preocupação .’ ...sempre situacionistas , os padres eram aliados natos dos coronéis, sendo porém , o seu poder político inferior aos destes, como adiante se verá.”
Padre Bruno
Padre Coragem – fé e defesa da religião
“Coragem ”. A palavra de incentivo , uma batida no ombro e um largo sorriso formavam seu cumprimento . Era uma saudação tão peculiar que muitos a ele se referiam como “padre coragem ”. De temperamento extrovertido , alegre e dinâmico , padre Bruno, ao mesmo tempo que conquistava asimpatia dos cidadãos franciscanos , marcava sua presença de autoridade católica antes do advento do ecumenismo que preza o entendimento e a amizade entre as religiões cristãs. Veemente em suas posições , chegando muitas vezes à intolerância , padre Bruno é também lembrado por suas calorosasdiscussões com o pastor protestante João Alves, não raro , presenciadas pelo público na praça . A disputa era tão grande e as acusações chegaram a tal proporção que foi preciso a intervenção das autoridades . A irmã Maria das Graças Gonçalves, superiora das Congregação Graciana fundada por padre Bruno, conta que , em certo momento , o bispo de Caratinga, Dom João Cavati, pediu a ação do governo federal em requerimento direto ao presidente Getúlio Vargas. Por intermédio do Ministro da Justiça e do Governador do Estado a solicitação chegou ao comando da Polícia Militar . Aanimosidade entre padre e pastor fez com que este vendesse seus bens e se mudasse da cidade
“O instituto ” – catequese e formação escolar
Numa época de escassez de sacerdotes , Dom Cavati via que o ensino e divulgação da doutrina cristã nas comunidades do interior seriam bem sucedidos se orientados por catequistas sob o comando de associações católicas. Essa visão do bispo logo recebeu a adesão de padre Bruno que aela acrescentou outra finalidade : escola com internato para facilitar o acesso à formação escolar de jovens de ambos os sexos , oriundos do meio rural . Assim em 19 de março de 1947 foi inaugurado o Instituto Nossa Senhora das Graças que passou a ser residência de um grupo de catequistas. Ogrande sobrado ficava no final da rua lateral da igreja e tinha sido comprado do casal José Carlos Pereira e Maria Costa Pereira .
No ano de 1954, divergência com Dom Cavati sobre a condução do Instituto leva à saída do padre da cidade . Padre Bruno vai para o Rio Grande do Sul e a irmandade das gracianas o acompanha. Com o regresso de padre Bruno a Europa, as co-fundadoras do “Instituto ”, irmãs Rosa Costa e Aparecida Santiago, que tinham ido para o sul , retornam a primeira sede da Congregação em agosto de 1955, acompanhadas de toda a irmandade graciana. A partir daí, o Instituto foi organizado de acordo com as normas canônicas e em 1979 foi reconhecido pela Santa Sé . Hoje a Congregação das Missionárias de Nossa Senhora das Graças está presente em escolas , asilos e creches e nas paróquias da diocese de Caratinga e arquidioceses de Mariana e Belo Horizonte .
O prédio que abrigou o “instituto ” não mais existe. Foi parcialmente demolido em meados dos anos 50. Suas “ruínas ” ficaram expostas por uns vinte anos . E tinham o gosto amargo do retrocesso . No interior do terreno , quase uma chácara , ficou apenas a casa onde padre Bruno residiu com móveis e vasilhas usados por ele . Em 1996, junto a casa foi construída uma capela do Santíssimo .
Irmã Rosa
A franciscana Rosa da Silveira Costa foi a primeira dos treze filhos de Luis Dias Costa e Maria da Conceição Silveira Martins. Nasceu na Fazenda da Gironda em 18 de janeiro de 1923 e faleceu no dia 28 de abril de 1991. Sua vida de dedicação à religião enriquece a história da cidade .
Três Irmãs da Família Costa que se tornaram religiosas. |
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