sexta-feira, 23 de março de 2012

HOMENAGEM ESPECIAL

HOMENAGEM ESPECIAL
João Eduardo Ornelas

Nascido em 10  de abril de 1931 na cidade de Abre Campo, José Alexandre Ornelas, meu pai, mais conhecido como Juquita, vive em São Francisco do Glória desde 1970. Se decido prestar-lhe uma homenagem neste site é porque a história deste homem se confunde com a da cidade que  o acolheu há 34 anos.
 Passou sua infância na zona rural de Santa Margarida onde ainda criança foi carreiro com responsabilidades de adulto transportando milho, porcos, rapadura e outras mercadorias.
 Na juventude mudou-se para Carangola onde  se iniciou na profissão de marceneiro, seguindo inclinação genética, já que  o pai, João Demétrio fora carpinteiro de mão cheia, fabricante de porteiras, carros de boi e afins. Aprendeu com facilidade a profissão destacando-se no meio. Pormuitos anos trabalhou na Fábrica de Móveis Original onde foi encarregado, espécie de gerente de produção.
 Em 1960 casou-se na cidade de Ervália com Zilda Tavares, aquela que seria companheira inseparável por 41 anos. No ano seguinte, 1961 o jovem casal mudou-se para Miradouro, uma vez que Juquita fora contratado para dirigir a incipiente Fábrica de Móveis de propriedade dos amigosGeraldino dos Santos e Orlando Malafaia. Na Cidade conquistou amizades e respeito que conserva até hoje. Ali Zilda e Juquita tiveram três filhos. Os patrões se tornaram compadres e amigos de fé. Em 1968 mudam-se para o estado do Rio de Janeiro, mais precisamente para Petrópolis onde se instalaram no distrito de Correias. Em 1969 Juquita levou a família para Ervália e permaneceu trabalhando na Cidade Maravilhosa, no bairro do Méier. Em 1970 mudou-se para São Chico e nesse mesmo ano nascia Luciana, a caçula de quatro filhos, a única franciscana natural.
 Em São Francisco do Glória fundou em sociedade com Otávio Lopes de Souza, colega e amigo dos tempos de Miradouro  a Fábrica de Moveis que levou o nome do santo padroeiro local. Data-se dai o inicio de sua trajetória como dono do próprio negocio. Algum tempo depois  adquiriu a partedo sócio, que desanimado preferiu voltar para o Rio de Janeiro.
 Em 34 anos de atividade na cidade e região, Juquita sempre foi respeitado como profissional competente e pessoa de comportamento sério, responsável e correto. Sempre requisitado para as melhores obras, tem sua marca nos principais edifícios da cidade, a saber: igrejas matriz e NossaSenhora Aparecida, Prefeitura Municipal, Câmara de Vereadores, Escola da Comunidade Domingos Laviola, Posto de Saúde e um sem-número de residências. Nas cidades vizinhas, além das várias residências mobiliadas conta com obras na Prefeitura e Câmara de Miradouro, Prefeitura de Vieiras,Igrejas de Divino, Orizânia, Viletes, Fervedouro e Ponte Alta.
 Mobiliou o Clube Social de Divino, época em que adquiriu prestígio naquela cidade a ponto de motivar convites e estímulos para que se mudasse para lá.  Um pouco pela dificuldade de dispor de seus bens, e muito por se sensibilizar com apelos dos amigos e clientes, decidiu permanecer emSão Francisco.  O Sr. João Ricardo, prefeito da época não mediu esforços para segurá-lo na cidade.
 Juquita ajudor a divulgar o nome de São Francisco do Glória na região participando de várias Exposições nas cidades de Carangola, Muriaé, Divino e Miradouro, além de sempre expor seus produtos na festa da cidade.
 Sua empresa, apesar de pequena sempre gerou alguns postos de trabalho. Vários franciscanos passaram por ela, e a maioria se tornou amiga do proprietário. O José Pedrosa, conhecido como Zé da Fia (atualmente Zé da Vera) foi o que permaneceu mais tempo. Além dele passaram por lá o Jole da Totônia, Juscélio Amaral, o Nicanor, o Geraldo Quirino, o José Wagner, o Toninho do Italiano e outros.
Juquita sempre foi  amante do futebol sendo sua grande paixão o Ipiranga de Carangola, do qual gosta de rememorar os tempos de glória. Sabe de cor a escalação dos times do Rio da década de 50, inclusive do América, que segundo ele tinha a alcunha de Demônios Rubros, de tão bom queera o time. Diz-se ex-flamenguista que deixou de torcer pelo rubro-negro por não aprovar o poderio do time que segundo ele passou a ganhar no tapetão e a ser protegido pelos juizes. Tornou-se simpatizante do Atlético Mineiro, levado por um sentimento de mineiridade e conquistado pela geraçãode Reinaldo e Toninho Cerezo. Contudo diz estar de férias para não passar raiva. Na cidade é torcedor  do Juventude, e sendo fiel ao seu estilo, é também o crítico mais ferrenho do time.
Conquistou sinceras amizades em sua vida, dentre elas me vem à mente Geraldino dos Santos e Orlando Malafaia, seus compadres do tempo de Miradouro. Cito ainda o Sr. Mário  Ferreira, seu filho Paulo Ferreira, Nascimento Moreira,  Fabinho, Chico Costa, o ex-sócio Otávio e muitos outros
.Seu jeito franco e direto rendeu-lhe alguns desafetos, porém nunca inimigos mortais. Mesmo os que não agradaram de seu estilo não tiveram como não reconhecer suas qualidades de homem honesto e cumpridor do dever, e por isso mesmo sempre o respeitaram.
 Juquita tem nos filhos e na profissão seus grandes orgulhos. Cumpre com naturalidade a transição de pai severo e exigente a avô permissivo e carinhoso, e que às vezes na presença dos netos parece tornar-se criança novamente. Sua terapia é o trabalho e seu mundo é sua oficina, local ondese sente à vontade. Fora dela é um peixe fora d’água, motivo pelo qual acha inconcebível a total aposentadoria.
 Um lutador, um vencedor em todos os sentidos, que traz no corpo e na alma as cicatrizes da vida, nosso pai é acima de tudo  um ser humano sentimental e generoso. É esse homem que homenageamos e abraçamos no seu aniversário e registramos o orgulho que sentimos em ser seus filhos. Rogamos a Deus que nos conceda sua companhia por muitos e muitos anos, gozando de plena saúde, pai amigo e vovô amoroso. Lá de cima, mamãe e vovó Zilda abençoa sorridente.
Juquita e Zilda se casam em Ervália
Juquita com os amigos Paulinho do Mário, Italiano e Délcio no bar do Sr. Mario Ferreira


Juquita e Sr. Agostinho Ferrari na porta de sua oficina em 1975
Juquita numa de suas participações na Exposição de Muriaé

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