MINHA TERRA...UMA VISÃO ECOLÓGICA
Marlone Pedrosa
Na minha terra têm palmeiras..., perobas, ipês, jequitibás, quaresmeiras..., onde cantam os canários, trinca ferros, bem-te-vis, coleirinhos, além dos sabiás.
Assim é minha terra, pedacinho de chão da Zona da Mata Mineira, pedacinho de mata no chão de Minas, pedacinho de Minas num chão que foi de mata. Lugar de belas montanhas e lindas cachoeiras, de clima ameno, gente hospitaleira, onde o gado e o café dão o tom da economia.
Gado e café que colonizaram uma terra onde havia mata – num tempo onde não se ouvia falar em desenvolvimento sustentável e que imperava a ignorância ecológica – revelam hoje um triste dado: somos o Município com uma das menores áreas nativas de Mata Atlântica (ecossistema onde estamos situados) de nossa região; praticamente não dispomos de uma mata contínua de grande área, restando apenas pequenos fragmentos nos altos dos morros, verdadeiros heróis da resistência.
Desmatamento que já mostra suas piores conseqüências, como assoreamento de nosso ribeirão e diminuição de suas águas, erosão do solo – principalmente nos morros – que em tempos de chuva, sem a devida cobertura vegetal para absorver a água, traz grande volume de barro para a cidade, entupindo bueiros e causando transtorno para a população, que fica praticamente ilhada num mar de lama.
Num lugar que tem por padroeiro São Francisco de Assis, o patrono da natureza, estamos deixando muito a desejar para fazer jus ao nosso santo.
Porém nem tudo está perdido. Há dez anos estamos trabalhando na escola, berço da nova geração, para que nossa terra seja mais conhecida e amada. Nesses tempos modernos, procuramos despertar nessa geração a consciência da importância e a necessidade de se adotar uma política ambientalséria, com ações concretas que visem a recuperação e preservação de nosso meio ambiente, e conseqüente bem estar da população, sem preocupação com interesses particulares de uma minoria. Um plano de ação conjunta entre governo e sociedade a fim de cuidar daquilo que nos pertence: nossaquerida “São Chico”.
Partimos do princípio de que só respeitamos aquilo que amamos, e como só amamos aquilo que conhecemos, creio que no trinômio conhecimento-amor-respeito encontra-se a saída para nosso crescimento. Temos um grande potencial turístico ainda totalmente inexplorado: trilhas belíssimas, locaispara prática de esportes radicais, serras, cachoeiras...
Muitos franciscanos não sabem, mas em 2001 criou-se em nosso Município a Área de Proteção Ambiental (APA) “Serra da Providência”, com uma extensão de 6.350,49 hectares, abrangendo uma área que vai desde a Providência (Pedra “Aquenta” Sol) até a divisa com Carangola, englobandoAreia Branca, Córrego do Moinho e Canoa, Santa Cruz, Pati e Bom Jardim. Essa APA, além de aumentar as receitas do Município com o ICMS Ecológico, constitui um primeiro passo para uma mudança nos rumos de nosso meio ambiente (espero eu!). Pois, segundo texto do projeto: “A criação da APASerra da Providência está apoiada na urgente necessidade de preservação e conservação da floresta e Mata Atlântica e dos recursos hídricos do município de São Francisco do Glória. Verifica-se que a ação antrópica ao longo dos anos, provocou na região uma grande degradação desses recursosnaturais e se não houver uma ação conjunta dos proprietários rurais, políticos, ambientalistas, organizações governamentais, organizações não-governamentais e uma população conscientizada, em curto espaço de tempo estas áreas estarão completamente erodidas, assoreadas, provocando a queda daqualidade de vida na população. Está contido na APA grande número de nascentes que compõem o Córrego Moinho, onde está instalado uma barragem com a finalidade de abastecer a sede do Município”.
Como podemos ver, as intenções são as melhores, restando a nós, apaixonados por essa terra, acompanhar o processo de perto e cobrar as devidas providências, independente de credo ou política, pois essa mentalidade, infelizmente comum em parte da população, é muito mesquinha diante daimportância do nosso meio ambiente.
Pois se nada for feito desde já, numa próxima edição de um jornal comemorativo de nossa emancipação começarei meu texto diferente:
Na minha terra tinha palmeiras, perobas, ipês, jequitibás, quaresmeiras..., onde cantavam os canários, trinca ferros, bem-te-vis, coleirinhos, e até os sabiás: eu vi e ouvi, mas hoje... quanta saudade!!
Prof. Marlone Pedrosa, 05/12/2003
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