sexta-feira, 23 de março de 2012

A HISTÓRIA DO BAIANO

AINDA O GRUPO ESCOLAR SANTO AGOSTINHO.

O HISTÓRIA DO BAHIANO

Logo a matéria sobre o grupo foi publicada, recebi várias manifestações e comentários, tanto pelo livro de visitas do blog quanto por e-mail e pessoalmente. O Flávio Moreira perguntou-me se eu tinha conhecimento de uma frase pichada na parede do grupo, a mesma onde o pessoal do consulado alemão projetava filmes. E a partir daí ele nos conta um fato acontecido que retrata bem o que era a nossa cidade antigamente, o que lhe rendeu fama de violenta que perdura ainda hoje. Vamos à  história narrada pelo próprio Flávio:

João,

Esse assunto do grupo tá rendendo. Ontem eu vi a mensagem do tio Eliezer sobre o terreno da rua dos Pinheiros.

A frase escrita a carvão na parede do grupo que dava para a praça era a seguinte: "O Bahiano tá no Lauzinho." Mais de uma vez o grupo foi pintado, mas a frase era deixada lá.

O motivo da frase foi o seguinte: mais ou menos em 1957, chegou para São Francisco um cabo da polícia. Dizem que ele era severo e tava botando um pouco de ordem no lugar. Ele morava numa antiga casa onde o Sr Olegário Mata construiu a dele. Um dia chegou na cidade um circo tourada que foi montado, como de costume, no "largo", onde hoje é a praça. À noite, a luz ainda não tinha sido inaugurada, o cabo flagrou esse Baiano, tentando entrar na tourada por baixo da lona. O cabo deu o "teje preso" e parece que houve resistência. O cabo deu um tiro de advertência e esse baiano deu uma facada certeira, matando o cabo. E fugiu na escuridão.

No dia seguinte baixou na cidade todo o comando do batalhão de Manhuaçu, para enterrar o cabo com honras militares, banda de musica, tiros de fuzil, essas coisas e também para prender o assassino. Só que ele não foi encontrado. Algum tempo depois, talvez um mês, apareceu a tal frase no grupo. Eu sabia só até aí.

Essa versão eu tenho na memória porque eu devia ter entre 7 ou 8 anos e me lembro de certas coisas. Eu conheci o cabo. Eu estava na varanda de casa, na praça, e ouvi um tiro. Minutos depois chegou correndo uma pessoa lá em casa e falou pro meu pai: mataram o cabo. Ele, como prefeito, foi tomar as providências. Lembro-me dele vestindo um paletó, colocar um revolver na cintura e sair. Minha mãe nos mandou dormir cedo. No dia seguinte a praça parecia uma praça de guerra, de tanto soldado de fora. Lembro do enterro passando em frente a nossa casa, com a banda da polícia tocando a marcha fúnebre e o caixão coberto com a bandeira nacional.

Talvez tenha um ou outro detalhe, que eu desconheça  na versão de outras pessoas. Prá mim o baiano nunca tinha sido encontrado. Outro dia, conversando com a tia Ruth sobre isso, ela me falou que esse Baiano esperou a poeira abaixar e depois se entregou em Carangola com a ajuda do sr. Nilo Monteiro, prefeito de Carangola na época. Agora, se o Lauzinho teve ou não teve participação na história eu não sei.

Um abraço.

Flávio

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