Sinuca
João Eduardo Ornelas
Alguns jovens jogadores de sinuca no boteco do Chico do Stansnilaw. É o mês de dezembro de 1982. Da esquerda para a direita vemos Maurício do Zé do Oscar, Paulinho Mendonça, João Eduardo, Alexandre, Paulinho do Zito e Waltinho do Divarde (sentado). Observem o Mauricio com a camisa da quinta festa do franciscano ausente. Na parede um cartaz com a programação da mesma festa, que apesar de ter sido em outubro, ainda permanecia exposto.
Enquanto menor de idade, fui fanático por sinuca. Talvez devido à proibição, e a emoção do desafio de jogar escondido, tendo que a todo momento verificar se algum policial se aproximava. O fato é que após completar 18 anos, o interesse pelo jogo foi diminuindo até desaparecer completamente. Hoje quem quiser me ver girando em torno de uma mesa com um taco nas mãos tem que pagar bem. Como ninguém paga, não jogo.
Contudo sinto saudades daquela época em que nos aventurávamos na ilegalidade inofensiva de uma sinuquinha. Era preciso usar toda nossa persuasão para que o dono da venda permitisse nossa presença. Variávamos sempre de estabelecimento para confundir os homens da lei. Apesar de todo cuidado, várias vezes fomos flagrados pelo implacável Cabo Gentil com a mão na massa. Aí o sermão era pesado, sobrando também para o dono do comércio.
Jogávamos no Nengo, no Zé Cardoso, no Evandro, no Zé Pequeno, no Felipe, no Chico do Stansnilaw, e muitos outros locais pelos cantos da cidade.
Por falar em sinuca não poderia deixar de citar os grandes jogadores que existiram e existem em nossa cidade. Dos mais antigos e falecidos, o Zizi Caetano e o João Barbeiro jogavam magistralmente. Dos atuais cito o Jota Neuder, o Helinho do Barrozinho, o Geninho, o Toninho do Walter, o Zé da Vera dentre outros. Lembro-me de memoráveis campeonatos realizados na cidade, especialmente um ocorrido no antigo salão do Sr. Odílio. Será que ainda existem campeonato de sinuca em São Chico?
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